Ler BACnet num laboratório é trivial. Ler BACnet num parque de edifícios real é guerra. E a distância entre as duas coisas é tudo aquilo de que os slides de fornecedor nunca falam.
Eis o que te espera no terreno. Redes segmentadas, em que os dispositivos não se veem uns aos outros sem ajuda. BBMD a ter de atravessar sub-redes — e configurado por alguém que já saiu da empresa há cinco anos. NAT pelo meio. VLANs hostis, montadas por uma equipa de TI que (com razão) não quer tráfego estranho na sua rede. Nomes de pontos sem documentação nenhuma — "AHU3_ZN_T" e adivinha o que é. E "protocolos abertos" com lock-in do fabricante escondido por baixo da abertura.
Já entrámos em carteiras de 200 edifícios sem um único diagrama de rede. O problema, repito, nunca foi o protocolo. O BACnet está documentado, é um standard, comporta-se. O problema é o caos humano e histórico em que ele vive.
Por isso a parte difícil — e a parte aborrecida onde mora quase toda a engenharia — é a descoberta que sobrevive a isto: auto-discovery que aguenta BBMD, NAT e VLANs sem partir, e mapeamento dos pontos para uma convenção de tagging (Haystack, BRICK, ou a do cliente) para que "AHU3_ZN_T" passe a significar alguma coisa. Sem isto, tens dados; não tens informação.
O caveat honesto: às vezes o equipamento está mesmo morto, ou é proprietário e fechado, e há uma peça que tens mesmo de trocar. Quando for o caso, dizemos-te — em vez de fingir que um gateway resolve tudo. Mas é a exceção. Na esmagadora maioria dos edifícios, o sistema nervoso já lá está e funciona. Falta-lhe um cérebro que o saiba ouvir através do ruído.