Toda a brochura tem o seu número-herói. "40% de poupança de energia." É quase nunca o teu número. Por isso, em vez de te vender uma percentagem, vamos ser honestos sobre o que paga mesmo, e o que não paga.
O que é real e rápido: alinhar setpoints e horários à ocupação real, apanhar anomalias antes de chegarem à fatura, fazer demand response com os sinais do operador. O payback costuma medir-se em meses. Mas a percentagem depende inteiramente de quão mal o edifício era gerido antes. Um edifício já bem gerido não vai ver 40%, e isso é perfeitamente normal. Desconfia de quem promete o mesmo número a toda a gente.
O que é sobrevendido: o "arranca tudo e troca por 40%"; as implementações estilo ERP que demoram anos e custam mais do que poupam; a fantasia da "IA que otimiza tudo sozinha sem ninguém aprovar nada".
E o ROI que ninguém mete na folha de Excel, porque não cabe numa percentagem: a avaria que não aconteceu (o chiller que não foi abaixo a meio de agosto); o relatório que passou de três meses para duas semanas; o inquilino e o colaborador que ficaram (o tal custo intangível); e as horas que a tua equipa deixou de perder a compilar dados à mão. Tudo real. Nada disto entra no número-herói, e por isso a brochura deixa-o de fora.
A nossa experiência a meter isto em edifícios reais (torres LEED Gold, carteiras multi-edifício) diz sempre o mesmo: o valor é mais largo e mais aborrecido do que a percentagem da capa, e é muito mais durável.
Não compres pelo número-herói. Compra pelo período de payback e pelos problemas que te doem mesmo. Pede um piloto com os teus dados, em semanas, e mede contra a tua realidade, não contra uma brochura.