Toda a gente que gere um edifício tem dois custos. Um chega todos os meses na fatura: energia, manutenção, receita perdida. O outro é intangível, não aparece em lado nenhum, e decide o futuro. É o enfermeiro que se demite, o inquilino que não renova, a sala de aula onde as crianças não conseguem concentrar-se.
Obcecamo-nos com o primeiro porque tem um número. Ignoramos o segundo porque não tem, até ele aparecer disfarçado de rotatividade, de baixas médicas, de churn, de más reviews.
O que quase ninguém liga é que os dois saem do mesmo sítio. A temperatura, o ar (o CO₂), a ocupação, a aglomeração de um espaço determinam ao mesmo tempo quanto gastas e como as pessoas se sentem lá dentro.
A rotatividade de um leito num hospital é receita, e é também a experiência do doente. O CO₂ numa sala de aula é energia, e é o desempenho e a saúde das crianças (estudos consistentes mostram que CO₂ acima de certos níveis degrada a concentração e a tomada de decisão). O conforto de um escritório é opex, e é a retenção do inquilino. A temperatura de uma loja é kWh, e é o tempo que o cliente fica e o que gasta.
O "S" do ESG costuma ser um slide sobre políticas de diversidade. Mas o "S" mais operacional que existe são as condições físicas que as pessoas aguentam oito horas por dia. E essas medem-se hoje, com os mesmos sensores que já contam a energia.
Não devias ter de escolher entre o custo e as pessoas. É o mesmo dado. Mede uma vez, gere os dois.
Um aviso, porque o oposto também é mentira: um edifício confortável não conserta uma cultura tóxica, e o bem-estar tem mil causas. Mas um edifício quente, abafado e sobrelotado garante que perdes pessoas mais depressa. Não deixes por medir a única parte que consegues mesmo medir.
A fatura mostra-te o que gastaste. Não te mostra o melhor enfermeiro que se foi embora por trabalhar num sítio que ninguém otimizou para ele. Esse é o custo intangível, e vem do mesmo sensor que mede o tangível. Lê os dois.