Em março de 2026, muita gente na sustentabilidade respirou fundo. O pacote Omnibus passou a lei (Diretiva UE 2026/470) e levantou a fasquia do CSRD para mais de 1.000 trabalhadores e mais de €450M de volume de negócios.
Na prática, cerca de 80% das empresas que se preparavam para reportar saíram da obrigação. As PME ficaram de fora. A Wave 2 foi empurrada para 2028. Em Portugal e Espanha, que ainda nem transpuseram a diretiva, instalou-se o limbo.
Houve quem fechasse o dossiê e arquivasse o trabalho. É aí que está o erro.
A obrigação não desapareceu. Mudou de remetente. Deixou de vir de Bruxelas e passou a vir de baixo da tua cadeia. As grandes empresas que continuam em scope precisam dos dados de Scope 3 dos fornecedores, ou seja, dos teus. Os bancos que cobram o crédito em função do risco climático pedem os mesmos números. Os clientes grandes metem-nos no caderno de encargos. O Omnibus até criou o estatuto de "protected undertaking", que deixa um pequeno fornecedor recusar pedidos que vão além dos standards voluntários, mas recusar dados ao teu maior cliente é uma decisão comercial, não legal. E quase ninguém a toma.
Ou seja: a régua regulatória baixou, a expectativa de mercado não. E pior, ficou mais confusa. Com os ESRS simplificados só finalizados perto de setembro de 2026 e tudo agora sujeito a materialidade, os pedidos que vais receber não vêm num formato único. Vêm em dez formatos diferentes, um por cliente e por banco.
É exatamente por isto que o relatório anual sempre foi o enquadramento errado. Se os teus dados de sustainability só existem para satisfazer um depósito anual, vais reconstruí-los de cada vez que alguém pergunta: um banco em janeiro, um cliente em março, um auditor em junho. Cada pedido vira um projeto.
Se os dados vivem na operação, medidos em contínuo, com a fonte agarrada a cada número, prontos a exportar, responder a qualquer pedido deixa de ser um projeto e passa a ser uma query.
A regulação encolheu. A pergunta não. Quem trata sustainability como um PDF anual vai reconstruí-lo a cada pedido. Quem a trata como operação responde com um clique e volta ao trabalho.