Todos os fornecedores que entram na tua casa das máquinas têm a mesma pitch: o teu sistema é legacy, está na hora de trocar. A próxima caixa resolve tudo. Curiosamente, a próxima caixa é sempre a que eles vendem.
A verdade técnica é menos lucrativa para eles: os dados já lá estão. Os teus controladores já falam BACnet, Modbus, MQTT. Não te falta hardware nem sensores. Falta-te alguém que leia o que o edifício já está a dizer. O problema não é silêncio. É surdez.
Onde é que isto realmente dói (e onde os slides não vão): redes segmentadas, BBMD a atravessar sub-redes, NAT, VLANs hostis, nomes de pontos sem documentação nenhuma, "protocolos abertos" com lock-in do fabricante por baixo. Já entrámos em carteiras com centenas de edifícios sem um único diagrama. Ler BACnet num laboratório é trivial; lê-lo num parque real, vivo e mal documentado é que é o trabalho.
E é por isso que o rip-and-replace é, quase sempre, a decisão errada por defeito. Custa caro, obriga a parar o edifício, e deita fora o conhecimento institucional que está embebido nos controlos que lá estão há anos. Não precisas de trocar o sistema nervoso do edifício. Precisas de lhe dar um cérebro.
Integrar em vez de substituir: ler e escrever sobre os protocolos que já tens, e pôr a camada de inteligência por cima. Um dia por edifício para instalar um gateway, não 18 meses para arrancar controlos que funcionam.
Sejamos honestos: às vezes o equipamento está mesmo morto, ou é proprietário e fechado, e há uma peça que tens mesmo de trocar. Quando for o caso, dizemos-te. Mas é a exceção, não a regra. Desconfia de quem te diz que é sempre a regra.
O teu BMS não está velho. Está calado. A pergunta certa não é "que sistema novo compro?". É "porque é que ninguém fala com o que eu já tenho?".